Guia
Sintomas de burnout: quando o cansaço é mais do que cansaço
Acordar já cansado, sentir que o trabalho perdeu o sentido, fazer tudo em piloto automático. Muitas pessoas vivem assim durante meses antes de perceberem que não é “só uma fase”. Este guia ajuda a reconhecer os sinais e a perceber quando vale a pena pedir ajuda.
O que é o burnout
A Organização Mundial da Saúde incluiu o burnout na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenómeno ocupacional: uma síndrome que resulta de stress crónico no trabalho que não foi gerido com sucesso. Não é uma fraqueza pessoal. É a resposta de quem esteve demasiado tempo sob pressão sem espaço para recuperar.
Os três sinais principais
A OMS descreve o burnout através de três dimensões:
- Exaustão. Uma falta de energia que o descanso de um fim de semana já não resolve.
- Distanciamento mental. Cinismo, irritabilidade ou indiferença em relação ao trabalho e, muitas vezes, às pessoas com quem se trabalha.
- Perda de eficácia. A sensação de que, por mais que se esforce, já não consegue fazer bem o que antes fazia com facilidade.
Outros sinais frequentes
- Dificuldades de sono, mesmo estando exausto.
- Dores de cabeça, tensão muscular ou problemas digestivos sem causa clara.
- Dificuldade de concentração e esquecimentos.
- Ansiedade ao domingo à noite ou antes de abrir o e-mail.
- Afastamento de amigos, família e atividades de que gostava.
- Culpa por estar cansado e por “não dar conta do recado”.
Burnout, ansiedade e depressão
O burnout está ligado ao trabalho. A depressão tende a estender-se a todas as áreas da vida. Na prática, os dois podem misturar-se, e o burnout prolongado anda muitas vezes de mão dada com a ansiedade. Se se reconhece nisto, leia também o guia sobre ansiedade e depressão.
O que pode fazer já
- Nomeie o que está a acontecer. Reconhecer o esgotamento já é um passo. Ajuda a parar de o tratar como falta de força de vontade.
- Proteja pequenos momentos de recuperação. Pausas reais durante o dia, horários de fim de trabalho e tempo sem ecrãs.
- Repare na sua voz interior. A autoexigência e a autocrítica alimentam o burnout. O guia sobre autocompaixão mostra uma alternativa.
Quando procurar ajuda
Se os sintomas duram há semanas, afetam o sono, a saúde ou as relações, ou se sente que já tentou aguentar vezes suficientes, faz sentido falar com um psicólogo. Em consulta trabalhamos o que mantém o esgotamento, os limites, a autoexigência e a forma de voltar a ter energia. Pode fazê-lo online ou presencialmente em Faro.
Se tem pensamentos de se magoar, procure ajuda imediata: ligue 112 ou SNS 24 (808 24 24 24).
Perguntas frequentes
O que é o burnout?
A Organização Mundial da Saúde, na classificação CID-11, descreve o burnout como uma síndrome resultante de stress crónico no trabalho que não foi gerido com sucesso. Não é classificado como doença, mas como um fenómeno ocupacional que afeta a saúde.
Quais são os principais sintomas de burnout?
Segundo a OMS, o burnout caracteriza-se por três dimensões: sensação de exaustão ou falta de energia, aumento da distância mental em relação ao trabalho (ou sentimentos de negativismo e cinismo) e redução da eficácia profissional.
Qual é a diferença entre burnout e depressão?
O burnout está ligado ao contexto de trabalho, enquanto a depressão tende a afetar todas as áreas da vida. Os dois podem, no entanto, sobrepor-se. Por isso, uma avaliação com um psicólogo ajuda a perceber o que se está a passar.
Férias resolvem o burnout?
O descanso ajuda, mas, se as causas se mantiverem (carga de trabalho, falta de controlo, padrões de autoexigência), os sintomas tendem a voltar pouco depois do regresso. A recuperação passa normalmente por mudar a relação com o trabalho e com os próprios limites.
A terapia online funciona para o burnout?
Sim. A terapia online permite um acompanhamento regular sem deslocações, o que facilita a continuidade quando a energia e o tempo já são escassos.
Fonte: Organização Mundial da Saúde, “Burn-out an ‘occupational phenomenon’: International Classification of Diseases” (2019), CID-11, código QD85.